À volta do mundo

África - À volta do mundo
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América - À volta do mundo
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Antártida - À volta do mundo
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Ásia - À volta do mundo
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Canção final - À volta do mundo
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Europa - À volta do mundo
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Oceania - À volta do mundo
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(A avó está sentada na sala a dormir)

 

MARIANA - Vamos pedir à avó para nos contar uma história?

FRANCISCO - É uma boa ideia. Mas a avó está a dormir...

ANTÓNIO - Não faz mal! a avó não se importa.

INÊS - Apetecia-me tanto ouvir uma das histórias da avózinha...

MARIANA - Vamos acordar a avó e pedir-lhe para que nos conte uma história!

FRANCISCO - Avó!? Avózinha!?

 

(a avó abre os olhos lentamente)

 

ANTÓNIO - Avó, desculpa, mas podes contar-nos uma história?

INÊS - Vá lá avózinha, é só uma história!

AVÓ - Mas é claro que conto meus querido netinhos. A avó nem sequer estava a dormir...

MARIANA - Ai não?

AVÓ - Não! A avó estava apenas a descansar os olhos... então que história querem ouvir?

ANTÓNIO - pode ser uma história qualquer.

FRANCISCO - Podes contar uma história verdadeira? Uma daquelas aventuras que viveste quanto eras pequenina?

AVÓ - Humm... deixem cá ver... Já sei! Vou contar-vos uma viagem que fiz com o meu pai, o vosso bisavô Alexandre.

INÊS - Despachem-se, sentem-se à volta da avó para ouvir a história!

 

(as crianças sentam-se à volta da avó)

 

AVÓ - Como sabem o vosso bisavô era um explorador muito conhecido na sua época. Era amigo de personalidades muito notáveis e todos queriam estar na sua presença.

Estávamos no verão de 1946 e certo dia, o meu pai entrou em casa e disse-me a sorrir, “queres conhecer o mundo?”. Eu disse de imediato que sim, pois sempre tivera curiosidade em conhecer culturas diferentes, sentir os seus cheiros, ouvir as suas músicas, provar as suas comidas e escutar as suas línguas. Esse era o meu maior desejo e o meu pai sabia disso.

Daí a dois dias, eu e o meu pai, estávamos a sobrevoar o atlântico no seu pequeno hidroavião, vendo apenas o imenso mar azul. 

Era já noite cerrada, quando ao longe, avistámos umas luzes que a espaços, ora ganhavam mais força, ora fraquejavam. O meu pai disse-me que aquelas luzes eram tochas acesas e que haviam sido colocadas pela tribo Manitsawá da Amazónia. Eles estavam à espera do meu pai, pois era hábito ele visitar essa tribo de dois em dois anos e nunca havia falhado um dia.

 

ANTÓNIO - E vocês aterraram em cima das árvores avó?

AVÓ - Não António, o teu avô aterrou no rio Amazónia!

MARIANA- No rio? E o avião não se afundou?

AVÓ - Era um hidroavião. Por isso, pode aterrar na terra ou na água!

TODOS - Ahhhh...

AVÓ - Quando o vosso avô aterrou o avião no rio, os homens da tribo vieram ter connosco em canoas e levaram-nos até a uma das margens do rio. As mulheres e crianças estavam à nossa espera e colocaram-nos flores enquanto entoavam cânticos de boas vindas.

Uns dias mais tarde, partimos em direção ao norte, para visitar a tribo Apache.

Os índios Apache viviam nas montanhas Sacramento e gostavam de pescar no grandes lagos e caçar bisontes montados nos seus cavalos mustang. Enquanto ali estivemos, os Apache ensinaram-nos muito sobre a sua cultura. Foi aí que conheci uma descendente do famoso índio Gerónimo, a Oriba.

 

INÊS - Oriba?

FRANCISCO - O que quer dizer Oriba avó?

AVÓ - Quer dizer “Feliz”!

MARIANA - Que nome tão bonito...

AVÓ - A Oriba e eu ficámos muito amigas. Ainda hoje, recordo com carinho essa viagem que fiz ao continente americano, ainda sinto o cheiro das pradarias da América do norte e da densa selva amazónica...

 

  • AMÉRICA

 

FRANCISCO - Depois do continente americano foste para onde avózinha?

AVÓ - Depois fomos para sul, até à Antártida.

ANTÓNIO - Mas lá faz muito frio...

INÊS - E viste pinguins avó?

AVÓ - Vi pinguins, baleias brancas e melhor ainda... vi a aurora austral!

TODOS - Uauuuu...

MARIANA - Que lindo. Uma aurora austral!

 

AVÓ - Então foi assim... certa noite, estava eu deitada dentro de um iglô a escutar os ventos fortes que batiam nas paredes de gelo, quando ouvi o meu pai chamar-me. Levantei-me e aproximei-me da porta. Ao início não conseguia ver nada, pois o vento forte trazia consigo a neve gelada que me batia na cara. Ao fim de uns segundos avisto o meu pai a apontar para o céu de sorriso nos lábios. O que ele me queria mostrar era uma aurora austral, que enchia o céu com imensas cores e formas. Para além das vossas caras de anjinhos, deve ter sido das coisas mais bonitas que já vi até hoje.

 

  • ANTÁRTIDA

 

INÊS - Avó para onde foram depois da Antártida?

AVÓ - Depois, fomos para a Oceânia.

MARIANA - Isso não é a Austrália?

AVÓ - A Austrália faz parte da Oceânia, tal como a Nova Zelândia, a Nova Guiné e o arquipélago Malaio.

ANTÓNIO - Estamos sempre a aprender com a avó!

AVÓ - Depois do frio da Antártida, fomos para o calor do deserto australiano. Aí, ficámos na casa de uma senhora chamada Jannali, que significa lua. Quer dizer, não era bem uma casa, mas sim uma gruta, pois ela gostava de estar perto da natureza, tal como os seus antepassados.

Durante o dia a Jannali mostrou-me os coalas que passam o tempo a comer folhas de eucaliptos e os cangurus que não param de saltitar.

 

FRANCISCO - Brincaste com os cangurus avó?

 

AVÓ - Eles podem parecer muito fofinhos, mas não deixam de ser animais selvagens e por isso mesmo, devemos respeitá-los e não perturbar o seu habitat.

 

A Jannali ensinou-me que a sua origem vem dos aborígenes australianos. Esses aborígenes, por sua vez, descendem de tribos africanas que há mais de cinquenta mil anos viajaram em embarcações muito pequenas e frágeis até à Nova Guiné. Mais tarde começaram a chegar a outras ilhas da Oceânia, inclusive a Austrália.

 

  • OCEÂNIA

 

AVÓ - Depois da Oceânia, seguiu-se o continente asiático. A Ásia é um dos continentes com maior diversidade cultural, religiosa e histórica.

O meu pai queria que eu conhecesse a grande muralha da China, os Himalaias e o rio Ganges na Índia.

 

MARIANA - E caminhaste na grande muralha de uma ponta à outra?

 

AVÓ - Não! Eu bem que pedi ao vosso bisavô, mas ele disse que na melhor das hipóteses demoraríamos cerca de cem dias, pois a muralha na altura, tinha mais de oito mil quilómetros e há quem diga que já chegou a ter vinte mil quilómetros.

 

ANTÓNIO - Quando for crescido quero percorrer toda a muralha da China.

 

FRANCISCO - Então é melhor levares uma dúzia de sapatilhas...

 

INÊS - Deixem ouvir a avó!

 

AVÓ - Na Índia, tomei banho no rio Ganges e vi as vacas sagradas que na sua margem bebiam tranquilamente. Mas foram os Himalaias que me fizeram sentir pequenina perante a sua imensidão. Nunca mais me esqueci do sabor do leite de lama, que eu bebia todas as manhãs nos planaltos do Tibete.

 

MARIANA- Leite de lama? Oh avózinha, não sabia que a lama também tinha leite!

Inês - Pois é avó... Eu pensava que a lama era terra com muita água!

 

AVÓ - Não é essa lama minhas queridas, mas sim, um animal chamado lama.

 

MARIANA E INÊS - Ahhhh... Assim está melhor!

  • ÁSIA

 

FRANCISCO - Avó deixa-me adivinhar... Depois foram para a África.

 

AVÓ - É isso mesmo António. Depois da Ásia, eu e o meu pai, viajámos para o grande continente africano em direção à tribo Zulu.

Aí, brinquei com leões bebés, vi girafas, zebras e caminhei ao lado do elefante africano. À noite, escutei a música que os zulus tocavam ao som do ugubhu.

 

MARIANA - O que é o ugubhu?

 

ANTÓNIO - Era um tambor?

 

AVÓ - Não! o ugubhu é um instrumento musical com uma corda presa a uma vara e com uma cabaça. Tem um som muito bonito, tão bonito como os cânticos dos zulus.

 

INÊS - Avózinha, em África só estiveste com a tribo Zulu?

 

AVÓ - Não Inês! Também naveguei no Nilo e visitei as pirâmides do Egipto. Bebi chá e viajei de camelo com os Tuaregues, que também são conhecidos como os homens azuis, devido à cor do véu que usam.

Percorri as dunas do deserto do Sahara e dormi sob o céu estrelado da Savana. A África é um continente magnífico.

 

  • ÁFRICA

 

AVÓ - De seguida, voltámos para casa e o vosso bisavô fez questão de sobrevoar a Europa, para que eu visse com os meus próprios olhos a história vista do céu.

A Europa tem muita tradição e monumentos fantásticos. A Europa é o nosso lar e devemos conhecer a sua história, para nos conhecermos a nós próprios.

 

INÊS - A Europa é muito grande?

 

AVÓ - A Europa começa nos Montes Urais e termina em Portugal, no qual existe o ponto mais ocidental de todo o continente!

 

FRANCISCO - Onde fica esse lugar?

 

AVÓ - Fica no Cabo da Roca!

 

MARIANA - Isso fica perto!

 

ANTÓNIO - Podemos ir lá avózinha?

 

AVÓ - Claro que sim. Pedimos aos vossos pais para nos levar lá um dia destes!

INÊS - E como terminou a vossa viagem?

 

AVÓ - Depois de chegarmos a casa, eu fui logo contar aos meus amigos as aventuras que tinha vivido com o meu pai. Quando começaram as aulas, escrevi uma composição sobre a minha viagem e todos na escola quiseram ouvir a minha história.

 

FRANCISCO - Foi por isso que te tornaste antropóloga?

 

AVÓ - Sim! Foi para continuar a estudar e conhecer melhor os diferentes povos do mundo!

 

  • EUROPA

 

FRANCISCO - Adorei a tua história avó!

 

INÊS - Eu não adorei... Eu amei!

 

MARIANA - Podes contar outra história?

 

ANTÓNIO - Vá lá, conta outra história avózinha!

 

AVÓ - Amanhã prometo que conto outra história. Mas agora meus queridos, vamos todos lanchar que já está na hora de comer os biscoitos que fiz para vocês!

 

  • CANÇÃO FINAL