Uma estrela caiu

Amazónia - Uma estrela caiu
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Canção final - Uma estrela caiu
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Degelo - Uma estrela caiu
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Vamos salvar o rio - Uma estrela caiu
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Viagem ao espaço - Uma estrela caiu
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A noite estava quente e serena. O céu limpo mostrava um manto estrelado sob a escuridão do universo. À janela do seu quarto, a Inês, pensativa contemplava a noite enquanto pensava nos lindos animais que iria tratar na manhã seguinte. A Inês adorava cuidar de animais, lavava-os, dava-lhes banho, comida e muito mimo. Até parecia que todos os animais abandonados sabiam que naquela casa vivia uma menina muito caridosa, pois era raro o dia que ali não passasse um animal em busca de tratamento.

 

E foi perdida num destes pensamentos que a Inês deu um salto acompanhado de um grito ao ver um clarão e um estrondo na frente do seu quintal. Assustada e trémula, encheu-se de coragem e desceu até ao quintal sem que os seus pais disso dessem conta. Ao lá chegar, aproximou-se devagar e afastou cuidadosamente os ramos que escondiam o local onde aquela coisa tinha caído. Depois de afastados os ramos, viu com surpresa uma pequena luz em forma de estrela, que ao ver a Inês esboçou um lindo sorriso.

 

INÊS - Quem és tu?

 

ESTRELA - Sou uma estrela. Igual a tantas outras que vivem lá em cima!

 

INÊS - Mas porque caíste aqui no meu quintal?

 

ESTRELA - Porque a poluição aqui da terra também nos está a afectar! Em breve irão cair mais estrelas, até que no céu não restem mais nenhumas.

 

INÊS - E o que é que eu posso fazer para te ajudar?

 

ESTRELA - Temos de acabar com a poluição aqui na terra!

 

INÊS - Tenho uma ideia! Amanhã de manhã falamos com os meus amigos e uma solução havemos de encontrar.

 

A Inês levou a estrela ao colo e deitou-a na sua cama. Daí a uns minutos ambas dormiam um sono descansado e tranquilo, na esperança de conseguirem resolver este problema ambiental.

Quando o Sol nasceu, a Inês e a estrela levantaram-se antes que os pais dela e entrassem no quarto e vissem aquele ser celeste no quarto. A Inês escondeu a estrelinha na mochila da escola e depois do pequeno almoço lá seguiu para a escola.

Ao chegar à escola chamou à parte o seu colega e amigo Gaspar. O Gaspar é um promissor cientista, pois adora inventar todo o tipo de engenhocas.

 

GASPAR - O que se passa? Para quê tanto segredo?

 

INÊS - Olha o que tenho aqui dentro da mochila…

 

GASPAR - Mas isso é uma estrela! Tem olhos e boca!

ESTRELA - Prazer em conhecer-te!

 

GASPAR - E também fala! O que faz ela na tua mala?

 

INÊS - Caiu ontem à noite no meu quintal! Ela precisa da nossa ajuda, pois a poluição que se faz aqui na terra, vai fazer com que todas as estrelas caiam do céu.

 

ESTRELA - Nós lá de cima vê-mos que os homens não querem saber do ambiente, as crianças são a nossa ultima esperança!

 

GASPAR - Para levar-mos por diante esta aventura vamos ter de reunir toda a equipa. 

 

Esta equipa era constituída não só pela Inês e o Gaspar, como também pelo Bernardo, um rapaz muito alto e forte e pela patrícia, uma menina muito dotada para as línguas, pois   conseguia comunicar não só com as crianças de muitos países, mas também com animais e outras coisas mais.

A equipa reuniu-se na casa da árvore, sentaram-se em circulo e a Inês lá foi explicando todo o que lhe tinha sucedido.

 

BERNARDO - Mas como é que nós vamos limpar o nosso planeta da poluição?

 

PATRÍCIA - Temos muito trabalho pela frente…

 

GASPAR - Já sei! Primeiro temos de ver o estado da Terra.

 

INÊS - E como é que vamos fazer isso?

 

GASPAR - Simples! Construímos um foguetão!

 

TODOS - Um foguetão?! 

 

BERNARDO - Boa ideia!

 

Os amigos deitaram mãos à obra na garagem do Gaspar. Uns trouxeram várias peças de metal, outros cadeiras de plástico para fazer de assento aos astronautas, por sugestão do Gaspar alguns rádios, televisores e micro ondas foram desmontados às escondidas dos pais, para que as suas peças incorporassem o foguetão. Daí a uma semana a espantosa máquina voadora estava pronta. Os amigos tinham combinado encontrar-se nessa mesma noite na garagem do Gaspar para aí poderem descolar em direcção ao espaço.

Quando o relógio da igreja bateu as 11 horas da noite, os amigos entraram para a nave, sentaram-se e deram inicio à descolagem.

 

GASPAR - Apertar os cintos de segurança!

 

INÊS - Colocar capacetes!

PATRÍCIA - Ligar os motores!

 

BERNARDO - três, dois, um, descolar!

 

O foguetão começou a largar uma enorme chama do seu motor e daí a uns segundos o foguetão lançou-se a toda a velocidade pelo céu.

 

  • VIAGEM AO ESPAÇO

 

BERNARDO - A terra está relativamente doente!

 

GASPAR - Temos mesmo de fazer qualquer coisa.

 

PATRÍCIA - Mas por onde vamos começar?

 

INÊS - Olhem ali para o continente africano. Já viram como os rios estão sujos e escuros?

 

PATRÍCIA - Acho que devemos começar por ali. O que dizem?

 

BERNARDO - Vamos lá!

 

BERNARDO - Apontar o foguetão para África...

 

Daí a uns minutos o foguetão chegava a África e aterrou numa pequena aldeia junto a um enorme rio. Quando os nossos aventureiros saíram do foguetão viram à sua volta uma multidão de gente curiosa pelo que ali tinha aterrado. Mas o espanto maior vinha dos amigos que estavam espantados pelo facto de aquele povo tribal ter um trapo a tapar o nariz...

 

INÊS - Patrícia fala tu com eles, pois és a única capaz de os entender!

 

PATRÍCIA - Bom dia! Estão bons?

 

Menino africano - Não estamos nada bem. O nosso rio está muito sujo e cheira mal!

 

BERNARDO - Por isso é que vocês têm um lenço a tapar o nariz!

 

MENINO AFRICANO - Já tentámos de tudo, até o nosso feiticeiro já mandou flores mágicas para a água e continua tudo na mesma.

 

GASPAR - Já sei o que vamos fazer. Vamos percorrer este rio e levar a mensagem a todas as pessoas que vivem à sua margem. O melhor é sensibilizar as pessoas.

 

BERNARDO - Quando as pessoas mandam lixo para o rio, não estão a ver o mal que fazem, porque o rio leva a sujidade com a corrente.

INÊS - Por isso é que temos de mostrar o mal que andam a fazer aos outros.

Os amigos lançaram mãos à obra e numa jangada feita pelos habitantes daquela aldeia, foram subindo o rio, enquanto apanhavam o lixo depositado ora nas suas margens, ora no fundo deste. Então puderam mostrar às pessoas toda a sujidade que estes haviam deitado ao rio.

 

  • VAMOS LIMPAR OS RIOS

 

PATRÍCIA - As pessoas estão a limpar os rios!

 

BERNARDO - Conseguimos mudar os maus hábitos deles.

 

INÊS - Acho que estamos no bom caminho. Não achas estrelinha?

 

ESTRELA - Acho que há uma esperança!

 

GASPAR - Amigos. Toca a entrar para o foguetão. Temos muito que fazer.

 

E lá partiram novamente no foguetão em direcção ao espaço. Lá de cima viram que a selva amazónica estava a perder muitas árvores com incêndios e derrube de vegetação.

Apontaram o foguetão para lá e partiram a toda a velocidade. Quando aterraram, viram muitos indígenas a fugir com um ar assustado.

 

PATRÍCIA - O que se passa? Porque estão a fugir tão assustados?

 

MENINO INDÍGENA - Vêm aí o monstro de ferro. Ele come todas as árvores e se nós não fugirmos ele também nos vai comer.

 

INÊS - Monstro de ferro?

 

GASPAR - Hummm... Esse monstro de ferro não é mais nem menos que uma escavadora.

 

BERNARDO - A Amazónia tem sido vitima dos proprietários de terras. Eles incendeiam e abatem a floresta para terem mais terreno para o gado.

 

INÊS - Mas assim, em breve não vão restar mais árvores e sem árvores não há oxigénio…

 

PATRÍCIA - E sem oxigénio não respiramos!

 

BERNARDO - O que vamos fazer?

 

GASPAR - Patrícia pede ao menino indígena para chamar toda a população e darem as mãos e pararem em frente à escavadora.

 

A Patrícia juntamente com o menino indígena reunirão todos os habitantes da Amazónia e juntaram-se de mãos dados em frente à escavadora. Os proprietários das terras acorreram imediatamente  ao local, na tentativa de acabar com aquela rebelião.

  • SELVA AMAZÓNICA

 

Quando todos acabaram de cantar a canção da selva olharam para os proprietários das terras e espantados ouviram as seguintes palavras:

 

PROPRIETÁRIOS DAS TERRAS - De que vale todo o dinheiro, sem o ar para respirar. A partir de hoje vamos reflorestar toda a selva Amazónia, mais conhecida por pulmão do planeta.

 

TODOS OS INDÍGENAS- Viva a mãe natureza!

 

BERNARDO - Mais uma batalha vencida!

 

PATRÍCIA - Não podemos parar. Temos de continuar a salvar o planeta.

 

ESTRELA - Temos de ser rápidos. Sinto que em breve mais estrelas irão cair.

 

GASPAR - Todos para o foguetão!

 

Já no espaço, os nossos amigos olharam para baixo à procura de novos locais para salvar o ambiente. Foi o Bernardo quem reparou num local...

 

BERNARDO - Olhem para ali. O gelo está a derreter.

 

PATRÍCIA - Que local é aquele?

 

INÊS - É o Polo Norte! Vamos ajudar aqueles ursos polares e pinguins.

 

GASPAR - Preparem-se para a aterragem!

 

(o foguetão aterra e os amigos saem)

 

PATRÍCIA - Está tanto frio!

 

GASPAR - Não tanto como deveria estar. O problema é o aquecimento global!

 

BERNARDO - Está a fazer com que o gelo derreta. 

 

INÊS - O pior é que vai inundar todas as cidades que ficam nas zonas costeiras.

 

ESTRELA - Sabem o que deviam fazer? Tirar fotografias do que se está a passar aqui e enviar para o e-mail de todas as pessoas do mundo.

 

PATRÍCIA - Boa ideia. Assim vamos pedir a toda a gente para não andar nos carros que usam combustível.

GASPAR - Se os homens já inventaram carros elétricos, porque é que não os usam?

 

INÊS - Já para não falar das bicicletas…

 

BERNARDO - Já tirei umas belas fotografias e vou já enviar para os e-mails do meus amigos, que por sua vez mandam para os amigos deles e assim vai chegar a todo o mundo!

 

  • CANÇÃO DO DEGELO

 

INÊS - Falta-nos fazer uma coisa muito simples!

 

BERNARDO - O quê?

 

INÊS - Limpar as ruas das nossas cidades. As pessoas não imaginam a quantidade de poluição que fazem com o lixo que deitam para o chão.

 

PATRÍCIA - tens toda a razão. Vamos arregaçar as mangas e limpar as cidades.

 

GASPAR - Eu vou buscar as ferramentas...

 

  • INSTRUMENTAL STOMP

 

GASPAR - Ufa que cansaço…

 

BERNARDO - Eu estou pronto para limpar mais uns quantos planetas!

 

(todos riem)

 

PATRÍCIA - Acho que devemos ir ao espaço ver como está a terra. Que dizem?

 

INÊS - Boa ideia Patrícia. Vamos lá!

 

Ao chegarem ao espaço os nossos amigos viram toda a terra a brilhar como há muito não brilhava e que por todo o lado não havia sinal de sujidade e poluição.

 

INÊS - Achas que a terra já está salva estrelinha?

 

ESTRELA - Graças a vocês a terra salvou-se e eu, finalmente posso ficar aqui em cima, sem correr o risco de voltar a cair.

 

BERNARDO - Bem está na hora de partir.

 

GASPAR - Tens toda a razão Bernardo, até porque graças aos fusos horários, vamos chegar a casa antes dos nossos pais acordarem...

E lá foram os nossos amigos, orgulhosos e contentes por terem salvo o planeta terra da irresponsabilidade dos adultos, levando consigo a esperança de que o mundo finalmente encontrara o caminho certo.

 

  • CANÇÃO FINAL